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9 de setembro de 2013

Método usa a mão que utilizamos menos para estimular a concentração mental

Edição do dia 06/09/2013

Método usa a mão que utilizamos menos para estimular a concentração mental

O nosso cérebro funciona assim: os destros - os que usam a mão direita - estimulam mais o lado esquerdo do cérebro. Os canhotos, o inverso, estimulam mais o lado direito.

É preciso usar o cérebro com inteligência. Sabe aquela rotina, muitas vezes boa, de fazer tudo sempre igual? Pois é. Ela faz tanto mal, porque não estimula o nosso cérebro. Precisamos tentar fazer tudo sempre de outro jeito. E haja imaginação.
“A rotina, ela pode basicamente achatar a capacidade intelectual, se você permitir. Existe a rotina básica da vida de todo mundo, que é inexorável, que todos temos que ter, até por uma questão de ordem. Mas essa rotina mais estática, limitada, em que a pessoa para de pensar além e é repetitivo, isso não é bom”, afirma Alessandra Gorgulho, neurocirurgiã.
Traços e cores podem ser um poderoso remédio para o cérebro, sem efeito colateral e com muito estímulo criativo.
Um método descoberto quase por acaso. A professora de informática ia de casa em casa ensinar as crianças na cidade de Olímpia, no interior de São Paulo. Aos poucos, foi notando que algo diferente acontecia com os alunos que tinham algum tipo de deficiência. “Aí eu fui percebendo no decorrer das aulas que essas crianças melhoravam muito”, conta a educadora Luciana Freire.
Caio Floriano da Silva nasceu prematuro, com seis meses apenas. Por isso, tem um problema neurológico que dificulta o aprendizado.
Repórter: Que dificuldade você tinha na escola?
Caio: De fazer prova.
Repórter: Você não ia bem?
Caio: Não.
Repórter: Que nota você tirava?
Caio: Eu tirava uns 2, 3, 4...
Repórter: Tirava nota baixa. E agora?
Caio: Agora eu estou tirando 10.
Para entender por que suas aulas tinham um resultado tão positivo, Luciana decidiu procurar quem entendia do assunto.
“O que é isso? Nós temos aproximadamente 86 bilhões de neurônios, e grande parte desses neurônios não são ativados durante uma vida. A partir do momento que nós começamos a fazer exercícios que fogem da nossa rotina, nós começamos a ativar essas sinapses”, explica o neurocirurgião da Famerp, Eduardo Silva.
Na Faculdade Estadual de Medicina de São José do Rio Preto, Luciana construiu uma parceria. Aos poucos, foi aperfeiçoando o seu método, criando novos exercícios.
“Criando esses exercícios, com a mão direita e com a mão esquerda, para que o cérebro pudesse ser estimulado integralmente. Todas as áreas, todos os hemisférios, direito e esquerdo”, conta Luciana.
O nosso cérebro funciona assim: os destros - os que usam a mão direita - estimulam mais o lado esquerdo do cérebro. Os canhotos, o inverso, estimulam mais o lado direito. O método que passou a se chamar reabilitação em multimídia se baseia justamente na ideia de que é preciso estimular o lado que cada um de nós usa menos.
Repórter: Parece fácil, mas não é. A Luciana me propôs um exercício que é escrever o meu nome com a mão esquerda e só quando a gente tenta a gente vê o quanto é difícil. A proposta é justamente essa. É na dificuldade que o nosso cérebro vai sendo exercitado.
Luciana: Exatamente, a proposta é essa. A cada atividade a gente lança um desafio, uma nova dificuldade para que a gente possa ativar novas áreas do cérebro.
Repórter: Escrevi meu nome. Ficou bem rabiscado, mas é o começo.
Luciana: Exatamente.
Repórter: Quer dizer, eu teria que treinar muito mais para conseguir escrever meu nome de um jeito bem mais claro?
Luciana: Isso.
Repórter: E quanto mais difícil o exercício melhor?
Luciana: Exatamente, mais estímulo.
O estimulo que a Jaqueline precisava. Ela tem 22 anos e sofre de epilepsia. Como não reagia mais a nenhum medicamento, o médico sugeriu a reabilitação em multimídia. Durante seis meses, Jaqueline fez os exercícios no computador. Quanto mais a concentração aumentava, mais as crises diminuíam: de 30 para no máximo três por dia. E com uma intensidade bem menor.
“Estou melhorando muito”, diz Jaqueline.
“A partir do momento em que ela começou a fazer essa reabilitação com multimídia, provavelmente, ela teve uma integração maior, ela teve uma concentração e com isso ela conseguiu promover um bloqueio destas descargas elétricas e obteve uma melhora muito significativa das crises epiléticas. Isso prova a eficácia desse método”, analisa o doutor Eduardo.
Os pais, que já não sabiam mais o que fazer para reduzir as crises de Jaqueline, não escondem o entusiasmo.
“Ela teve uma melhora grande assim, de verbalizar, de concluir um pensamento, uma palavra, uma frase, ela não conseguia se inteirar. Hoje não, hoje ela já consegue falar, ela já consegue anotar recados, ela consegue transmitir aquilo que ela pensa, quer falar, fazer, até mesmo a autoestima dela melhorou bastante”, conta a mãe de Jaqueline, Leila de Souza, que é faturista.
“Eu me arrumo mesmo. Quando eu vou para a igreja, eu coloco a melhor roupa que eu tenho, coloco um brincão”, diz Jaqueline de Souza, de 22 anos.
“Foi um remédio duradouro. Nesse sentido, uma cura mesmo. Porque não regrediu. Estamos muito felizes com isso”, afirma o pai, Mauri Edival, fiscal de ônibus.
Nos últimos cinco anos, Luciana acompanhou 400 pacientes, a maioria crianças. Ao todo, 94% melhoraram em vários aspectos, como autonomia, disciplina, concentração e coordenação motora.
O trabalho de Luciana já foi até premiado no exterior e hoje faz parte do currículo de dez escolas municipais de Olímpia - são mais de 1,3 mil alunos.
“Agora eu tiro 9,5. Antes a minha nota era 6 ou 7”, diz Cleyce Vitória, de 10 anos.
E neste caso, ao contrário do ditado, santo de casa faz milagre sim. Mateus, filho de Luciana, tem apenas 4 anos. Mas, já é capaz de desenhar no computador.
“Gosto de desenhar porque é bom para o cérebro. Para ficar inteligente. Eu fiquei bastantão”, diz Mateus Henrique Branco Freire, de 4 anos.